Como aprender Língua Portuguesa

Como não deixar o desempenho nos estudos cair?

Não é nenhuma novidade baixar o desempenho em Língua Portuguesa depois de relativo tempo de estudo. Quando isso acontece, devemos ficar de olho em alguns fatores que podem ser a resposta para essa baixa.

O primeiro deles é o fator confiança excessiva. Depois de algum tempo de estudo, você começa a acertar questões, começa a ler os textos com mais acuidade[1], adquire mais segurança (já memorizou conjunções e algumas preposições, já sabe classificar alguns verbos). Daí, você diminui o ritmo, resolve menos questões, lê menos textos. Quando pega a próxima prova, o desespero vem moendo! Onde está todo aquele conhecimento que você tinha? Onde estão as questões que eu costumava acertar? Parece que eu esqueci tudo!

E realmente esqueceu! Nosso cérebro descarta a informação que não for nova e que não julgar relevante. Quando você começou a estudar, certamente havia esperanças em seu coração, estava motivado e, indubitavelmente, memorizava os primeiros conteúdos que o professor passava. Isso ocorria porque uma parte do cérebro – as amídalas cerebelosas – era a responsável por auxiliar sua memorização, agregando toques emocionais aos primeiros conteúdos novos a que assistia. Ocorre que Língua Portuguesa não é uma coisa nova para a maior parte dos indivíduos que se prestam a estudá-la, talvez porque nativos do idioma. Bem, todo esse palavrório foi empregado para explicar que a perda de contato com um assunto conduz ao sequente esquecimento ou ao apagamento das informações estudadas. Isso explica a razão de você memorizar as letras de uma música tão rapidamente, mas não memorizar a letra da lei com a mesma facilidade.

A saída, então, é fazer um mnemônico (estratégia de memorização) com aquela música que eu adoro! Ledo engano. Quando gostamos de alguma canção, o que nos faz memorizar é o sentimento da canção original, não da paródia. Essa é a razão porque eu acho bastante ridículo quando alguém começa a cantar um conteúdo. A iniciativa até pode ser boa, mas o resultado é o mesmo que nada!

A sugestão é manter a regularidade de suas revisões. Além disso, não faria mal tentar ser o monitor de algum conteúdo (pode ser de Língua Portuguesa) no seu grupo de estudos. Desse modo, você se obriga a ficar em contato constante com a teoria, além de ser o recurso primeiro para tentar sanar as dúvidas dos colegas na resolução de questões. Ninguém conseguirá rever todos os conteúdos de 15 em 15 dias, então adote a seguinte estratégia:

  • Conteúdo novo: revisão em 15 dias;
  • Conteúdo não tão novo: revisão em 25 dias;
  • Conteúdo já dominado: revisão a cada 35 dias.

Lembre-se de que o importante é permanecer em movimento com os estudos!

Pode ser que o seu caso não seja o de confiança excessiva. Bem, o mais provável, desse modo, é que você esteja cometendo o erro por estagnação. Calma, eu não vou repetir o que disse anteriormente.

Esse tipo de erro é cometido pelo indivíduo que insiste em não querer evoluir. Como assim? Explico. Eventualmente, o concurseiro ouve de seus “gurus” (muitos apenas idiotas que não sabem o que falam) que não é possível fazer prova de outra banca, não é possível estudar o que está fora do edital (já vimos como há muito conteúdo que está na prova, mas não tem seu “nome” no edital), que não é possível fazer prova de analista se você for prestar para técnico etc. O aluno fica estagnado, pois só sabe resolver um tipo de prova, com apenas um tipo de questão e apenas um nível de dificuldade. Quantas vezes houve mudança da banca examinadora e o candidato se sentiu um imbecil, porque estudava apenas para a banca anterior? Pois é, vou citar um exemplo bem simples: houve uma campanha muito longa para o concurso do INSS que foi realizado no ano de 2016. Todos os preparatórios, antes do edital, direcionavam os estudos para as provas da banca FCC, a organizadora anterior do certame. Durante muito tempo, os alunos resolveram provas anteriores, simulados, viram cursos específicos para a banca em questão. Isso tudo foi lindo até a saída do edital: banca CESPE. Você já pode imaginar a quantidade de choro e ranger de dentes que houve por causa disso. Muita gente teve que “reaprender” a resolver exercício, pois nunca havia feito prova com “certo e errado”. Esse é um exemplo de estagnação no estudo. O indivíduo fica “bitolado” a pouca variedade dentro de uma matéria e não consegue melhorar seu desempenho. Citei apenas duas bancas, mas os exemplos são diversos dessa situação.

A minha sugestão, nesse caso, é que você busque resolver provas mais difíceis do que aquilo que enfrentará em seu concurso. Também é salutar conhecer como outras bancas examinadoras abordam o mesmo assunto. Isso pode fazer você compreender de maneira mais precisa como a lógica da matéria surge para os examinadores. No fundo, tudo é Português, e não há razão para segmentar tanto o estudo de um conteúdo que está disseminado em praticamente todas as provas, afina, tudo está escrito nessa língua (a não ser a prova de língua estrangeira).

Além disso que eu citei, também pode ser que você tenha ficado um tempo trabalhando com provas mais fáceis e, quando passou para níveis mais complexos (o que pode ocorrer sem você perceber, basta que o examinador considere que a prova tenha de ser mais difícil), acho que a prova era de grego e não de português. De qualquer modo, se você estiver estudando, não se desespere: continue fazendo o seu trabalho, pois o resultado aparecerá.


[1] Capacidade de percepção e interpretação.

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Existe um método correto de estudo?

Para quase nada na vida, há um método correto. Existem, de fato, caminhos conhecidos que serviram para algumas pessoas conseguirem atingir um objetivo. É disso que eu vou falar nessa subseção.

Quando você se organiza para estudar o conteúdo de Língua Portuguesa, deve estar ciente de que há uma divisão lógica do conteúdo, assim disposta:

1. Fonético / Fonológico: estuda a produção, a emissão e a articulação dos sons da língua. Nessa parte, é comum haver questões sobre contagem de fonemas (sons) e letras nas palavras.

2. Morfológico: é a parte responsável pela análise da estrutura e da classificação das palavras dentro de uma sentença. Essa é a base de todo estudo para compreender a Língua, portanto, exige-se muita atenção.

3. Sintático: é a parte da Língua responsável pela análise das funções que cada termo desempenha dentro de uma sentença. É nessa parte que nome como “sujeito”, “objeto” e “predicativo” surgem.

4. Semântico: para o mundo do concurso público, essa é a parte que investiga o significado das palavras, ou seja, o seu sentido dicionarizado.

5. Pragmático: nesse nível, encontra-se a análise do sentido que as palavras ou expressões podem assumir em um contexto específico. As questões de interpretação estão aqui!

Pode não parecer, mas esses assuntos são praticamente uma sequência. Isso mesmo, eu apenas não recomendo começar por Fonética e Fonologia – principalmente porque são os assuntos menos cobrados, em se tratando de concurso público. Eu creio – e passo isso para todos os meus alunos – que a sequência mais acertada em que você pode apostar é iniciar o trabalho com morfologia, para garantir um bom conhecimento das bases componentes do idioma, principalmente no que se refere à classificação das palavras.

Acredite: sem morfologia, não há vida em Língua Portuguesa. Você deve conhecer muito bem as características das seguintes classes, para pensar em mudar de assunto:

  • Advérbios;
  • Conjunções;
  • Preposições;
  • Pronomes; e
  • Verbos.

Você pode perguntar: “professor, o que eu tenho que saber de cada um desses itens? ” Vamos à resposta.

Sobre advérbios, é preciso que você saiba identificá-los em um texto, além de reconhecer o seu sentido expresso. É preciso saber qual a diferença entre um advérbio e uma locução adverbial (principalmente saber como as locuções adverbiais são formadas) e suas correspondências de sentido. Reconhecer como um advérbio funciona também é critério importante (isso você estuda na definição dos advérbios, no início da conversa sobre o assunto).

Sobre conjunções, é necessário conhecer sua classificação e o tipo de relação que costumam indicar (se de coordenação ou de subordinação). Organizá-las em uma tabela é de bom alvitre, caso queira memorizar com mais facilidade. As conjunções serão importantíssimas em questões de semântica, bem como em questões de análise sintática.

Sobre preposições, é fundamental memorizar quais são as essenciais (que ficam agrupadas na sigla ACDEPST, comum nas minhas aulas). Como são elementos que podem introduzir locuções adjetivas, conjuntivas, adverbiais e prepositivas, faz-se necessário o entendimento de que elas podem adquirir diversos sentidos distintos, o que resvala em uma grande possibilidade de perguntas sobre mudança de sentido das sentenças e sobre regência (verbal ou nominal). Além disso, muitas questões relativas ao estudo do acento grave indicativo de crase partem das noções de regências, logo do uso das preposições.

Sobre pronomes, há muito que estudar: desde seu papel em relação à frase (se adjetivo ou substantivo) até sua função sintática e suas possibilidades de retomada. Indiscutivelmente, o assunto mais cobrado no que tange ao emprego dos pronomes é o que entendemos como “referenciação”, ou seja, o fato de o pronome poder ser vir para realizar a retomada de algo que foi escrito anteriormente. Nesses casos, o mais importante é identificar o pronome (a ativação semântica) e seu referente (o termo por ele retomado), que pode ser outra palavra (um substantivo, ou mesmo outro pronome), uma sentença e, até mesmo, um parágrafo completo. Vale destacar que os pronomes oblíquos átonos (estudados dentro da categoria dos pronomes pessoais) e os pronomes relativos (estudados em sua categoria própria, mas com destaque para o pronome “que”) são largamente explorados nas provas de concursos públicos (nos quesitos: colocação, referenciação e função sintática).

Sobre verbos, a conversa fica um pouco mais séria. Há grandes porções para o estudo dessa classe de palavra. Vou mencionar aqui quais são os itens mais explorados pelas provas de concurso: classificação verbal com relação à natureza verbal (transitivo, intransitivo, de ligação etc.); identificação do tipo de voz do verbo e suas transposições (ativa, passiva, reflexiva e recíproca); classificação do verbo em relação a sua conjugação (regular, irregular, anômalo, defectivo, abundante); relação entre tempos e modos verbais; significado dos tempos e modos verbais. Essa é a parte que vai exigir mais tempo e que há de requerer mais atenção de você. Vale lembrar que o verbo é o coração de toda análise sintática, por isso – caso queira boa evolução em sintaxe – terá que ter bom conhecimento sobre verbos.

Depois de papirar muito na morfologia, chega o momento de caminhar para a sintaxe. Aí, muitos concurseiros entregam nas mãos de Deus e começam a rezar. Calma, eu sei que sintaxe não é um assunto dos mais fáceis, mas também não é a coisa mais complicada do mundo. Lembre-se: se alguém conseguiu, você também é capaz!

Tudo deve ser bem lento e progressivo, quando falamos de sintaxe. Na divisão dos períodos, eu recomento fortemente que você focalize o estudo do período simples. Ele é o ponto fundamental do qual todas as diferenciações sintáticas poderão surgir. Quero dizer que os demais períodos (composto e misto, por exemplo) fluirão naturalmente, se você souber precisamente a definição e a aplicação de cada função sintática do período simples.

Como eu sei que muita gente tem pressa e quer saber o que mais se deve estudar dentro de sintaxe, lá vai uma série do que mais se cobra em provas de concurso público:

Dentro do Período Simples:

  • Sujeito e suas classificações;
  • Complementos verbais (objeto direto e objeto indireto);
  • Complemento nominal;
  • Adjunto adverbial; e
  • Aposto.

Dentro do Período Composto:

  • Orações coordenadas (classificação de sentido);
  • Orações subordinadas substantivas (subjetivas e objetivas diretas);
  • Orações subordinadas adjetivas (diferença entre explicativa e restritiva);
  • Orações subordinadas adjetivas (pontuação e sentido).

Algumas provas ainda exigem o reconhecimento de orações reduzidas, mas esse assunto é um pouco mais complexo e exige muita base de sintaxe do período composto para haver desenvoltura em seu entendimento.

Depois de finalizar essa parte fundamental da matéria, eu sugiro que você focalize os assuntos “picados”, que costumam ser cobrados nas provas de Língua Portuguesa. Esses assuntos podem ser estudados pontualmente, contanto que você já tenha passado por morfologia e por sintaxe. Eu recomendo a seguinte ordem para estudar:

  • Acentuação gráfica – assunto muito simples, para aliviar a cabeça dos anteriores.
  • Colocação pronominal – assunto fácil também, mas exige que você tenha boa identificação dos elementos da morfologia.
  • Concordância verbal e nominal – assunto que exige boa noção de sintaxe, principalmente na identificação dos tipos de sujeito, para que seja possível tratar de distribuição dos sinais de pontuação na sentença.
  • Regência verbal e nominal – assunto que funciona como um pré-requisito para crase. Trata-se de uma parte da sintaxe (assim como concordância e colocação pronominal), mas exige mais atenção ao sentido e à necessidade de se empregar uma preposição em uma sentença.
  • Crase – assunto fácil, porém não para todos. Como se trata de um grande tabu em Língua Portuguesa, sugiro dar atenção especial ao conteúdo de crase.
  • Pontuação – assunto mais trabalhoso dentre todos com que você irá se relacionar. Para pontuar uma sentença, é necessário ter um conhecimento bastante rico de sintaxe, para não cometer equívocos na separação dos termos de uma oração.
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