Poemas

E você ainda crê?

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E você ainda crê?

Todos os conflitos
Todos os miseráveis
Todos os aflitos
Todos os imperdoáveis
E você ainda crê que carrega o maior fardo?

Seus olhos miram um horizonte estreito
Será que consegue ampliar a visão
Para sentir a dor de um irmão
Dor que não caberia em seu peito?

Os homens não são iguais
Mas você prefere emparelhá-los
Com seus sentidos aparelhados
Para não poder se apiedar mais.

Resolve a fome com a ponta dos dedos
Acaba com as epidemias clicando num coração
E ainda crê que não há solução
Para por fim aos seus medos?

Divaga em palavras vazias
Sem saber que, em salas frias,
Padecem sem consolo algum

Pessoas como eu ou você
Que não verão o sol nascer
E hão de cair numa vala comum.

Todos os conflitos
Todos os miseráveis
Todos os aflitos
Todos os imperdoáveis
E você ainda crê que carrega o maior fardo?

(Pablo Jamilk, em “Poesia vingativa”)

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