Como aprender Língua Portuguesa

Como aprender Português?

Tomar-decisões

Parte 1: da preparação

1. Língua Portuguesa: de ponto fraco a arma de batalha.

 

Eu não conheço disciplina que seja maior alvo de reclamação do que
Língua Portuguesa. O sofrimento é constante, a reclamação é constante,
os erros são constantes e constante também e a frustração.
Você, se for concurseiro de longa data, já deve ter se deparado com
uma situação muito frequente: comprou uns dez cursos, viu diversos
estilos de aula, sentiu-se preparado; mas – na hora de resolver as
questões – ficou tão puto que quis jogar tudo para o alto e nunca mais
estudar. Pois é, já vi essa cena inúmeras vezes; já falei com inúmeros
alunos sobre isso: sempre o mesmo relato.
Isso nos leva à ideia de que a matéria de Língua Portuguesa tem se
tornado – ao longo dos anos – uma grande “pedra no sapato” dos
concurseiros. Trata-se de um fato com explicação para sua origem. Na
realidade, o cerne desses problemas está nos cursos de Letras em grande
parte do nosso país – afirmo isso por causa da minha formação. Uma das
frases mais comuns que se ouve nesses cursos é “Gramática é coisa do
passado, ninguém mais tem que saber esse tipo de coisa”. Com isso, os
professores que se formam lá – e que provavelmente lecionarão para
você e para seus filhos – internalizam esse tipo de conhecimento. Tempo
depois, caem na sala de aula e passam muito tempo tentando descobrir
o que ensinar; muitos apenas se dedicam a preencher o diário de classe.

O primeiro passo para você transformar sua dificuldade em sua
maior arma é entender que alguém já conseguiu fazer isso. Veja bem:
alguém já gabaritou uma prova de Língua Portuguesa, logo não há razão
alguma no mundo que torne isso impossível para você. Pense sempre
assim: se alguém já conseguiu fazer, eu também consigo!
Parece até que estou escrevendo um daqueles livros de autoajuda,
mas não é bem isso. Estou tentando mostrar que a perspectiva é
fundamental para conhecer o trabalho que se desdobra à sua frente.
Depois de seguir os passos do curso que ora está estudando, faça uma
avaliação das provas que resolveu: resolva novamente, comente as
questões, discuta com colegas a respeito dos assuntos. Será possível
identificar qual foi o ponto inicial da sua evolução. Uma questão a mais
já é uma vitória; um comando de questão cujo assunto você conseguiu
compreender já é um sinal de evolução.
É preciso insistir nesse trabalho até que você escolha resolver a prova
de Língua Portuguesa por primeiro no seu concurso. Ela deve ser o seu
instrumento para ganhar tempo na resolução, enquanto seus
concorrentes estão arrancando os cabelos na hora da prova. Na
realidade, os concorrentes têm apenas uma coisa mais do que você: eles
têm mais é que se lascar!

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Poemas

A morte do poeta

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A morte do poeta

Morre um poeta por dia no Brasil.
A cada post,
A cada like,
A cada youtuber,
A cada livro facilitado.

A vida não é facilitada.
A vida é perigo e desafio.
É o poema que nos dá uma escada,
Para escaparmos do trânsito.

Somos uma raça rara,
Um bando de amigos
Unidos agora pela camaradagem da moléstia.
Mas a união é estéril.

O turbilhão passa rapidamente,
E os poetas não se agarram.
Seus textos se agarram.
O milagre do poema está se acabando.
Pela descrença de nossa alma prática contemporânea.

(Pablo Jamilk)

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Crônicas Jamilkianas, Uncategorized

Dia dos Namorados

tinder

Vi muitos casais no Dia dos Namorados. Muitos casais;  poucos namorados. Muitos sorrisos de fotos antigas, muita alegria fingida em imagens colhidas propositalmente. Vi muitas declarações que não passaram da pieguice do momento. Como eu disse, vi muitos casais; poucos namorados.

Nas timelines das redes sociais, declarações que vertiam ternura – mesmo escritas por dedos que estavam com os olhos secos, sem lágrimas; por corações que estavam com batimentos normais; por almas que estavam cumprindo o protocolo da existência – se multiplicaram. Parece que quem estava solteiro arrumou um cacho; quem estava separado, coletou alguém da lista de contatos; quem já estava casado, procurou um isqueiro para acender o bico do gás que há muito já se tinha apagado. E todos foram buscar um restaurante para jantar.

Li que a origem do chamado Dia dos Namorados remonta ao Império Romano. Vi também que alguns o conhecem como Dia de São Valentim (aí minha memória já salta para os episódios da Turma do Chaves). Tem algo a ver com um esquema da proibição dos casamentos por causa de soldados solteiros serem melhores combatentes. Entendo que os enamorados, de fato, não tivessem cabeça para lutar. É precisamente isso que mudou de lá para cá.

Hoje, passamos na loja de conveniências e já temos os pacotes de surpresas para o dia em questão na fila do caixa. Eu consigo pensar em Dia dos Namorados sem ter que interromper o meu dia; sem ter que interromper o trabalho; sem ter que interromper a vida. Vai tudo de maneira simples, seguido de uns dois posts com o texto que eu copiei de um site qualquer que vi na Internet. A namorada fica feliz, eu cumpro o protocolo. No dia seguinte, posso ignorar suas preocupações normalmente; posso preferir sair com os amigos em vez de ficar em sua companhia; posso até preferir outras mulheres, mas isso nenhuma postagem pode revelar.

Quando foi que a argamassa da indiferença embotou os nossos sentimentos a tal ponto que chegamos a repetir atitudes com data marcada? Os relacionamentos começam com a mesma facilidade com que terminam, em uma sequência de “zeros” e “uns” que nada entende das coisas da alma. Descartamos sentimentos, pessoas, relacionamentos, emoções, vidas e histórias apenas deslizando o dedo na tela do celular. Talvez, você descarte esse post e passe para algum mais atraente.

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Sim da Renner

Thumbs up & down buttons

Minha esposa me ensinou, depois de algum tempo, o significado de “sim da Renner”. Evidentemente, saíamos da famigerada loja de departamentos quando fomos abordados por uma das garotas que me perguntou de maneira bem mecanizada:

– Você tem o cartão da Renner?

No momento em que fui responder negativamente ao simples questionamento, ela (minha esposa) interrompeu e disse:

– Sim, temos.

Era mentira, claro. Mas fiquei cismado pelo fato de ela mandar tão reta frase sobre o “benefício”. Eu perguntei para ela:

– Bárbara, você tem esse cartão? Eu não sabia.

– Claro que não! – disse ela – Mas, se você disser que não tem, ela vai ficar enchendo o seu saco até você fazer o cadastro.

– Olha, eu nunca pensei em fazer isso.

– Sempre que alguém vem desse jeito, eu mando um “sim da Renner” e acabo com a conversa.

Ela jamais faria isso por mal, eu tenho certeza. Quem nunca ficou puto com uma interpelação chata sobre as vantagens de um cartão “feito por você”? Quem nunca quis desligar o telefone antes de a menina falar sobre a economia que você vai fazer se aderir ao plano de telefonia com televisão a cabo e diversas vantagens que fazem café, criam seus filhos e rebocam a parede?

Comecei a pensar, depois disso, que – em diversas vezes do nosso dia – mandamos um “sim da Renner” para acabar com aquilo que nos parece tão enfadonho. O telefonema da mãe para saber como estamos, a oferta de novos produtos, a oferta de novos amores, a oferta de novas vidas, a oferta de novos horizontes, a oferta de um novo canal, a oferta de uma nova música (por mais ridícula que seja), tudo recebe nosso “sim da Renner”. Quem sabe a vida não seja uma loja de departamentos? Quando somos clientes e quando somos as moça mecanizada?

– Você já viu aquele vídeo em que o cara…

– Sim.

– Você já leu aquele livro, cujo personagem…

– Sim.

– Você me  ama?

– Sim.

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Coragem virtual

croissant

Não é muito engraçado como as pessoas adquirem uma coragem fantástica quando estão atrás de um computador, de um celular ou de um tablet? Eu acho isso, no mínimo, curioso. Não raro, estou escrevendo um texto, comentando uma foto, avaliando um vídeo, paro para ver o que as outras pessoas escrevem a respeito daquilo que acabaram de ver.

E esse texto começa desse jeito mesmo, contanto o ocorrido com Atena. O nome dela nem era Atena, mas ela colocou isso no seu apelido, porque a Internet (sim, é com letra maiúscula) deixa fazer esse tipo de coisa. Colocar um nome qualquer para parecer cult ou chique. É foda! É foda, mas é real.

A Atena Tupinambá (queria fazer uma mescla entre coisa grega erudita e coisa de raiz brasileira) sempre passava pelas redes sociais, fazendo o seu julgamento de mérito do caráter das pessoas, colocando suas opiniões, desmontando teorias sem conhecer qualquer pessoa, credo, posição, formação ou caráter. Pensava “se eu não concordo com isso, está errado”!

Um dia ela parou para comentar um vídeo que havia visto sobre um assunto que vira polêmica do dia para a noite – como tudo no Brasil. Era um vídeo de uma menina falando sobre determinado assunto que havia pesquisado e estava lá também emitindo sua opinião. Nossa protagonista, no mais alto estrado cultural, não concordava com a opinião da garota (que, agora convencionamos chamar youtuber – nome que de chique tem muito e de conteúdo tem pouco).

Com fúria salivar nos dedos, Atena redigiu seu comentário abaixo do vídeo:

– PQP, que menina burra! É mesmo uma anta. Nem sabe do assunto que tá falando. Essas retarda fica comentando umas coisa que nem faz sentido. Eu até tô rindo aqui. Vai estudar, minha filha, antes de sair falando tanta merda!

Assim que deu o “enviar” do seu comentário, pensou que estava cansada de gente burra e de Internet naquele dia. Foi comer um croissant na franquia que havia no centro.

Atena não era qualquer pessoa para pedir uma massa folheada com recheio trivial de queijo com frango. Mais credo! Logo mandou aquele croissant nervoso de rúcula com tomate seco, brie e especiarias. Após a primeira bocada na iguaria, uma bandeja de plástico surgiu como um aríete direto nos dentes!

– Vai aprender a ficar falando merda dos outros, sua filha da puta! Isso aqui é para você aprender!

A informação viaja rapidamente.

(Pablo Jamilk)

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Crônicas Jamilkianas

Ela nunca foi amada…

Durante a adolescência, ela sempre foi a menina mais bonita da escola. Não havia mesmo alguém para competir com toda aquela beleza estonteante que ela esbanjava em seus 15 anos. Aliás, a festa que comemorava esse natalício mais parecia uma celebração de Oscar, com direito a tapete vermelho e tudo mais.

Mesmo naquela época em que as pessoas não eram viciadas em corpos torneados e barrigas trincadas, chapadas ou chupadas, ela já fazia seus treinos diários, para alimentar uma compleição física invejável que, de fato, tinha. Corrida, alguns abdominais, alguns alongamentos já faziam parte de sua rotina desde cedo.

Algo como quatro ou cinco amigas era o  número com que podia contar, se levasse em consideração quem a acompanhava durante as transições da adolescência para a juventude. Não sabia se havia alguma confidente, a maioria era apenas uma companhia para ir à escola ou a alguma festinha que se descortinava nos fins de semana.

O caso mais curioso, a meu ver, é que ela nunca foi amada. Pois é, não parece estranho? A mais bela, a mais fantásticas das garotas nunca ter sido amada. No alto de seus 45 anos, ela descobriu isso. Nunca havia sido amada. Questionava-se a razão. Chegou a cogitar loucura própria, mas não era. Realmente, nunca havia sido algo de um amor.

Você talvez pense que não faça sentido isso que está lendo. Como isso é possível? Ela sempre teve todos os rapazes aos seus pés, todos eles eram vidrados na menina. Matariam – certamente matariam – para poder acariciar aqueles cabelos dourados, olhar para os fantásticos olhos verde-felicidade, tocar os lábios pequenos e brilhantes. Tudo sempre foi muito fácil para ela: estalava os dedos, e os garotos, os marmanjos entregavam o que tivessem nas mãos para lhe agradar.

Não foi diferente quando ficou adulta: flores, perfumes, vestidos, sapatos, carros, casas, até aviões lhe foram oferecidos para que entregasse um pouco de si para o candidato sortudo. Todos desejavam, todos a queriam, todos admiravam suas formas sinuosas, seu semblante de menina, sua pele macia e jovial, seu hálito fresco de menta selvagem!

Aos 45 anos, olhando-se no espelho da academia, ela descobriu que nunca foi amada.

(Pablo Jamilk)

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