Como aprender Língua Portuguesa

Classes de palavras: Artigo

Artigo

Artigo é a palavra que define ou indefine um substantivo, particularizando-o.

Classificação: os artigos podem ser:

Definidos: definem um referente na sentença. São eles: o, a, os, as.

Indefinidos: indefinem um referente na sentença. São eles: um, uma, uns, umas.

Emprego dos artigos:

a) Definição de termo:

Chamem o aluno. (Provavelmente, esse aluno já foi mencionado no texto)

b) Indefinição de termo:

Chamem um aluno. (Nesse caso, é indiferente o aluno. Provavelmente não fora mencionado na sentença)

c) Generalização de termo:

Aluno deve estudar. (Veja que o artigo não foi empregado, ou seja, fala-se a respeito de toda a categoria “aluno”)

d) Substantivar termo:

O cantar / Um não. (Perceba que, nesse caso, o artigo transformou as palavras “cantar” e “não” (verbo e advérbio) em substantivos. A esse processo, dá-se o nome de derivação imprópria).

e) Destaque de termo:

João é “o” médico. (Nessa sentença, faz-se um tipo de destaque, como fosse uma questão de ênfase do elemento que sucede o artigo)

f) Uso com o pronome “todo”:

  • Esse é um problema em todo país. (Conjunto dos países)
  • Esse é um problema em todo o país. (O país em sua totalidade)

Note a mudança de sentido proveniente do emprego do artigo.

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Preposição: o que eu preciso saber?

Preposição é um termo de natureza conectiva, que opera uma relação de sentido no segmento em que aparece. Distintamente das conjunções, as preposições são empregadas por uma exigência da sentença (quer gramaticalmente, quer semanticamente).

A preposição costuma ser empregada em função de uma exigência sintática, a qual recebe o nome de Regência. A depender da natureza da regência, a preposição pode indicar uma relação apenas de correção gramatical ou uma relação de manutenção de sentido.

Vejamos alguns exemplos:

  • Regência Verbal: As pessoas assistiram ao discurso sobre a preservação ambiental. (Empregamos a preposição “a” para demonstrar a relação presente entre o verbo e seu complemento. O verbo “assitir” empregado no sentido de “ver” deve receber a preposição “a”)
  • Regência Nominal: A habilidade com as palavras era seu forte. (A preposição “com” foi – por assim dizer – “convidada” pelo substantivo “habilidade”. Isso demonstra uma relação de Regência Nominal.)

Classificação das preposições

1 – Essenciais: são preposições por essência. É preciso decorar essa lista para que fique mais simples o estudo das preposições.

  • A, ante, até, após.
  • Com, contra.
  • De, desde.
  • Em, entre.
  • Para, per, por, perante,
  • Sem, sob, sobre,
  • Trás.

Semântica das preposições: é importante pensar sobre o sentido que podem assumir.

  • Eu lutei com Jonas. (Estávamos do mesmo lado)
  • Eu lutei contra Jonas. (Ele era meu inimigo)
  • Eu lutei sem Jonas. (Jonas não estava na luta não pense que essa frase significa que lutei sozinho, isso seria interpretar demais)
  • Eu lutei por Jonas. (Jonas foi a razão de minha luta)

2 – Acidentais: são palavras que não nasceram como preposição e, em dado momento, foram passaram a ser empregadas na função de preposições.

Exemplos:

  • Mediante
  • Salvo
  • Exceto
  • Menos
  • Fora
  • Tirante
  • Salvante
  • Segundo
  • Consoante

Em uso:

  • Ela fará, salvo engano, a prova amanhã.
  • Fora Maria, todas as meninas entraram na sala.
  • Segundo o autor, aquilo era um direito de todos.

Tabela de combinações

 Preposições (vertical) / Artigos (horizontal)oaosasumumaunsumas
aaoàaosàs
dedodadosdasdumdumadunsdumas
emnonanosnasnumnumanunsnumas
perpelopelapelospelas
porpolopolapolospolas

Locuções prepositivas: duas ou mais palavras reunidas que possuem a função de uma preposição, ou seja, função conectiva. Vejamos uma lista de locuções prepositivas.

À beira de, antes de, depois de, a fim de, a patir de, ao invés de, em vez de, de encontro a, ao encontro de, em frente de, a despeito de, à custa de.


Como isso cai na prova?

(CESPE) No fragmento III, no trecho “Cooper usou sua nova invenção para ligar para Joel Engel” (L.9-10), a preposição “para” expressa, em ambas as ocorrências, ideia de finalidade, introduzindo expressões adverbiais.

( ) Certo      ( ) Errado

Resposta: errado. No primeiro caso, a preposição é empregada com um sentido de finalidade; já, no segundo caso a visão que se tem é de “destinatário”.

Bem, não é só dessa maneira que o conteúdo relacionado às preposições pode aparecer. Também pode haver questões relacionadas à crase, ao emprego de pronomes relativos, das próprias conjunções. Cabe ao aluno ficar atento à exigência sintática da sentença (a Regência, propriamente falando).

Vejamos mais exemplos:

Questão de relevância na discussão dos efeitos adversos do uso indevido de drogas é a associação do tráfico de drogas ilícitas e dos crimes conexos — geralmente de caráter transnacional — com a criminalidade e a violência.

(CESPE) Nas linhas 12 e 13, o emprego da preposição “com”, em “com a criminalidade e a violência”, deve-se à regência do vocábulo “conexos”.

( ) Certo      ( ) Errado

Resposta: errado. O emprego da preposição se deve à regência do termo “associação”, que exige duplo complemento (associação DE algo COM algo). Essa é uma questão de Regência Nominal.

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Como usar a vírgula?

Regra de ouro

Fique atento para a regra fundamental de emprego da vírgula. Uma das mais cobradas em concursos.

Não se emprega vírgula entre:

  • Sujeito e verbo.
  • Verbo e objeto (na ordem direta da sentença).

Para facilitar a memorização dos casos de emprego da vírgula, lembre-se de que:

A vírgula é:

        Desloca

        Enumera

        Explica

        Enfatiza

        Isola

        Separa


Emprego da vírgula

Emprega-se para:

a) separar termos que possuem mesma função sintática no período:

  • João, Mariano, César e Pedro farão a prova. (Os termos separados são núcleos do sujeito, logo possuem a mesma função)
  • Li Goethe, Nietzsche, Montesquieu, Rousseau e Merleau-Ponty. (Os termo separados são núcleos do objeto direto).

b) isolar o vocativo:

– Força, guerreiro!

c) isolar o aposto explicativo:

  • José de Alencar, o autor de Lucíola, foi um romancista brasileiro.

d) mobilidade sintática:

  • Temeroso, Amadeu não ficou no salão. (Predicativo do sujeito deslocado)
  • Na semana anterior, ele foi convocado a depor. (Adjunto adverbial deslocado)
  • Por amar, ele cometeu crimes. (Oração subordinada adverbial causal reduzida de infinitivo deslocada)

e) separar expressões explicativas, conjunções e conectivos:

isto é, ou seja, por exemplo, além disso, pois, porém, mas, no entanto, assim, etc.

f) separar os nomes dos locais de datas:

  • Cascavel, 10 de março de 2012.

g) isolar orações adjetivas explicativas:

  • O Brasil, que busca uma equidade social, ainda sofre com a desigualdade.

Observação: atente para o fato de que a banca pode exigir a retirada de uma vírgula. Isso prejudicaria a correção gramatical, uma vez que haveria outra entre sujeito e verbo. Se a banca solicitar a retirada das duas, haverá mudança de sentido, mas não incorreção gramatical.

h) separar termos enumerativos:

  • O palestrante falou sobre fome, tristeza, desemprego e depressão.

Observação: veja que essa é a mesma regra que fala sobre separar termos de mesma função. Algumas bancas apenas mudam a descrição da regra.

i) omitir um termo (elipse verbal / zeugma):

  • Pedro estudava pela manhã; Mariana, à tarde.

Observação: a vírgula foi empregada para substituir o verbo “estudar”. Essa vírgula é chamada de vírgula vicária.

j) separar algumas orações coordenadas

        – Júlio usou suas estratégias, mas não venceu o desafio.

k) separar oração modal reduzida de gerúndio no período.

        – O país saiu da crise em que estava, modificando sua estratégia de desenvolvimento econômico.


Vírgula + E

Existem muitos mitos sobre o emprego da vírgula com o conectivo “e”. É preciso saber que há casos em que a vírgula será bem empregada. Como os posteriores:

  1. Para separar orações coordenadas com sujeitos distintos:
  • Minha professora entrou na sala, e os colegas começaram a rir.

2) Polissíndeto (repetição poposital de conjunções):

  • Luta, e luta, e luta, e luta, e luta: é um filho da pátria.

3) Conectivo “e” com o valor semântico de “mas”:

  • Os alunos não estudaram, e passaram na prova.

4) Para enfatizar o elemento posterior:

  • A menina lhe deu um fora, e ainda o ofendeu.

Como isso cai em prova?

O respeito às diferentes manifestações culturais é fundamental, ainda mais em um país como o Brasil, que apresenta tradições e costumes muito variados em todo o seu território. Essa diversidade é valorizada e preservada por ações da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural (SID), criada em 2003 e ligada ao Ministério da Cultura.

(CESPE) A retirada da vírgula após “Brasil” manteria a correção gramatical e os sentidos do texto, visto que, nesse caso, o emprego desse sinal de pontuação é facultativo.

Resposta: Errado. Comentário: a vírgula que sucede a palavra “Brasil” serve para introduzir uma oração subordinada adjetiva explicativa. Sua retirada transforma a sentença em uma oração subordinada adjetiva restritiva, além da função sintática, o sentido também será alterado.


(ESAF) Assinale a opção que justifica corretamente o emprego de vírgulas no trecho abaixo.

É neste admirável e desconcertante mundo novo que se encontram os desafios da modernidade, a mudança de paradigmas culturais, a substituição de atividades profissionais, as transformações em diversas áreas do conhecimento e os contrastes cada vez mais acentuados entre as gerações de seres humanos.

(Adaptado de Zero Hora (RS), 31/12/2013)


As vírgulas

 a) isolam elementos de mesma função sintática componentes de uma enumeração.

 b) separam termos que funcionam como apostos.

 c) isolam adjuntos adverbiais deslocados de sua posição tradicional.

 d) separam orações coordenadas assindéticas.

 e) isolam orações intercaladas na oração principal.

Resposta: A. Comentário: as vígulas da sentença separam uma enumeração que compõe o sujeito composto do verbo “encontrar”, que está na voz passiva. Todos eles fazem parte de uma enumeração, componente do sujeito.

Após estudar a vírgula, já é possível passar ao estudo dos demais sinais principalmente cobrados nas provas de concurso.

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