Como aprender Língua Portuguesa

O que é uma tirinha?

A tirinha

        Diferentemente da charge, a tirinha não possui necessariamente um prendimento temporal (muito embora as contemporâneas estejam trabalhando mais como charges sequenciais). As tirinhas são pequenas narrativas que misturam linguagem verbal com linguagem não-verbal. Usualmente, há questionamentos sobre os efeitos de humor que decorrem das quebras de expectativa do penúltimo para o último quadro da tirinha, portanto, é preciso atentar para essas partes principais da pequena narrativa.

            É comum que haja um personagem central nessas tirinhas, o qual costuma ser o protagonista das ações do texto. Veja um exemplo:

Padrão
Como aprender Língua Portuguesa

Crase: o que eu preciso estudar?

Crase é o nome do fenômeno linguístico em que se pronuncia o som de duas vogais em apenas uma emissão sonora. Na verdade, trata-se de uma união, como o próprio nome grego “krásis” indica. O acento grave  indicativo de crase (`) deve ser empregado em contrações da preposição “a” com:

  1. O artigo definido feminino:
    1. O homem foi à reunião descrita na ata.
      1. Comentário: veja que há uma preposição “a” proveniente da regência do verbo “ir” somada ao artigo “a” que antecede o substantivo feminino “reunião”.
  2. Os pronomes “aquele”, “aquela” ou “aquilo”.
    1. Referimo-nos àquele assunto mencionado.
      1. Comentário: soma-se aqui a preposição “a” proveniente do verbo ao pronome “aquele”.
  3. O pronome demonstrativo “a”:
    1. Tenho uma calça semelhante à que você tem.
      1. Comentário: nesse caso, soma-se a preposição “a” proveniente do adjetivo “semelhante” ao pronome demonstrativo “a” (igual a “aquela”) que antecede o pronome relativo “que”.

Essa é a parte da teoria, a partir de agora, é possível segmentar a matéria em três tipos: casos proibitivos, casos obrigatórios e casos facultativos.


Casos Proibitivos (Não se pode empregar o acento grave)

Memorize esses casos! As questões exigirão que você saiba se o acento foi empregado corretamente. Essa parte da matéria ajuda a responder à maioria dos casos.

  1. Diante de palavra masculina:
    1. Ele fazia menção a dissídio trabalhista.
  2. Diante de palavra com sentido indefinido:
    1. O homem não assiste a filmes medíocres.
  3. Diante de verbos:
    1. Os meninos estavam dispostos a estudar Gramática.
  4. Diante de alguns pronomes: (pessoais, de tratamento, indefinidos, interrogativos)
    1. A Sua Excelência, dirigimos um comunicado.

5. Em expressões com palavras repetidas.

  • Cara a cara, dia a dia, mano a mano.

6. Diante de topônimos que não admitem o artigo.

  • Agripino viajará a São Paulo.

Veja que há uma observação em relação a essa regra: se o topônimo estiver determinado (houver uma especificação após ele), o acento será obrigatório.

Ex.: Agripino viajará à São Paulo de sua infância.

7. Diante da palavra “casa” (no sentido de “própria residência”).

  • O menino voltou a casa para falar com a mãe.

Veja que há uma observação em relação a essa regra: se a “casa” estiver determinada (houver uma especificação após ela), o acento será obrigatório.

Ex.: O menino voltou à casa da mãe.

8. Diante da palavra “terra” (no sentido de “solo”).

  • Muitos virão a terra após navegar.

Veja que há uma observação em relação a essa regra: se a terra estiver determinada (houver uma especificação após ela), o acento será obrigatório.

  • Muitos virão à terra dos selvagens após navegar.

9. Diante de numerais cardinais  referentes a substantivos não determinados pelo artigo.

  • O presidente iniciou a visita a quatro regiões devastadas.

Note que, se houver um artigo no plura – nessa frase – haverá o acento grave.

  • O presidente iniciou a visita às quatro regiões devastadas.  (Perceba a diferença de sentido entre “quatro regiões” e “as quatro regiões”)


Como isso cai na prova?

(CESPE) Em “a preços”, estaria correto o emprego do sinal indicativo de crase.

Resposta: errado. Comentário: essa questão está duplamente errada. Note que, além de a palavra “preços” ser masculina, o “a” está no singular e o termo posterior está no plural.


Casos  Obrigatórios (Deve-se empregar o acento grave).

Vejamos agora os casos obrigatórios de crase! Tente perceber a preposição e os artigos envolvidos nesse processo! Pau na máquina!

  1. Locução adverbial ou adjetiva com núcleo feminino:
    1. à vista, à noite, à esquerda, à direta, à toa, à vontade etc.
  2. Expressão (masculina ou feminina) com o sentido de “à moda de”:
    1. gol à Pelé, cabelos à Sansão, poema à Bilac, conto à Machado, bife à milanesa etc.
    1. Note que “frango a passarinho” e “bife a cavalo” não possuem acento grave, pois são locuções com núcleo masculino e não indicam “o estilo de alguém que o faz.
  3. Locução prepositiva:
    1. à vista de, à beira de, à mercê de, à custa de.
    1. Note que “a partir de” e “a fim de” não possem acento grave.
  4. Locução conjuntiva proporcional:
    1. à medida que, à proporção que.
  5. Para evitar ambiguidade:
    1. Ama a mãe a filha.
    1. Para poder saber quem é sujeito e quem é complemento nessa sentença, é necessário colocar um acento grave sobre o termo quer servirá de complemento, ou seja, será formado um objeto direto preposicionado. Em ‘ama a mãe à filha’, a mãe é o sujeito; em ‘ama à mae a filha, a filha é o sujeito.
  6. Diante de “madame”, “senhora” e “senhorita”:
    1. Enviaremos uma carta à senhorita.
  7. Diante da palavra “distância” (quando estiver determinada):
    1. O acidente se deu à distância de 100 metros.


Casos Facultativos (Pode-se empregar facultativamente o acento grave)

São quatro casos facultativos:

1. Após a preposição “até”:

  • Caminharemos até a sala do diretor.
    • Caminharemos até à sala do diretor.

2. Diante de pronome possessivo feminino:

  • Ninguém fará menção a sua citação.
    • Ninguém fará menção à sua citação.
    • Note que, se a espressão estiver no plural, o acento será obrigatório: Ninguém fará menção às suas citações.

3. Diante de substantivo próprio feminino:

  • Houve uma homenagem a Cecília.
    • Houve uma homenagem à Cecília.
      • Obs.: não se emprega acento grave com nomes históricos ou sagrados.

4. Diante da palavra “Dona”.

  • Enviamos a correspondência a Dona Nádia.
    • Enviamos a correspondência à Dona Nádia.


Nota: Paralelismo sintático!

Uma estrutura paralelística é aquela que apresenta formação igual em sua estruturação, ou seja, se em um complemento composto houver um artigo antes do primeiro núcleo, ele deve ser repetido ao longo de todos os núcleos. E isso há de se estender aos casos de crase.

  •         Ele se referia a saúde, educação, turismo e esporte. (certo)
  •         Ele se referia à saúde, à educação, ao turismo e ao esporte. (certo)
  •         Ele se referia à saúde, educação, turismo e esporte. (errado)
Padrão
Como aprender Língua Portuguesa

Como não deixar o desempenho nos estudos cair?

Não é nenhuma novidade baixar o desempenho em Língua Portuguesa depois de relativo tempo de estudo. Quando isso acontece, devemos ficar de olho em alguns fatores que podem ser a resposta para essa baixa.

O primeiro deles é o fator confiança excessiva. Depois de algum tempo de estudo, você começa a acertar questões, começa a ler os textos com mais acuidade[1], adquire mais segurança (já memorizou conjunções e algumas preposições, já sabe classificar alguns verbos). Daí, você diminui o ritmo, resolve menos questões, lê menos textos. Quando pega a próxima prova, o desespero vem moendo! Onde está todo aquele conhecimento que você tinha? Onde estão as questões que eu costumava acertar? Parece que eu esqueci tudo!

E realmente esqueceu! Nosso cérebro descarta a informação que não for nova e que não julgar relevante. Quando você começou a estudar, certamente havia esperanças em seu coração, estava motivado e, indubitavelmente, memorizava os primeiros conteúdos que o professor passava. Isso ocorria porque uma parte do cérebro – as amídalas cerebelosas – era a responsável por auxiliar sua memorização, agregando toques emocionais aos primeiros conteúdos novos a que assistia. Ocorre que Língua Portuguesa não é uma coisa nova para a maior parte dos indivíduos que se prestam a estudá-la, talvez porque nativos do idioma. Bem, todo esse palavrório foi empregado para explicar que a perda de contato com um assunto conduz ao sequente esquecimento ou ao apagamento das informações estudadas. Isso explica a razão de você memorizar as letras de uma música tão rapidamente, mas não memorizar a letra da lei com a mesma facilidade.

A saída, então, é fazer um mnemônico (estratégia de memorização) com aquela música que eu adoro! Ledo engano. Quando gostamos de alguma canção, o que nos faz memorizar é o sentimento da canção original, não da paródia. Essa é a razão porque eu acho bastante ridículo quando alguém começa a cantar um conteúdo. A iniciativa até pode ser boa, mas o resultado é o mesmo que nada!

A sugestão é manter a regularidade de suas revisões. Além disso, não faria mal tentar ser o monitor de algum conteúdo (pode ser de Língua Portuguesa) no seu grupo de estudos. Desse modo, você se obriga a ficar em contato constante com a teoria, além de ser o recurso primeiro para tentar sanar as dúvidas dos colegas na resolução de questões. Ninguém conseguirá rever todos os conteúdos de 15 em 15 dias, então adote a seguinte estratégia:

  • Conteúdo novo: revisão em 15 dias;
  • Conteúdo não tão novo: revisão em 25 dias;
  • Conteúdo já dominado: revisão a cada 35 dias.

Lembre-se de que o importante é permanecer em movimento com os estudos!

Pode ser que o seu caso não seja o de confiança excessiva. Bem, o mais provável, desse modo, é que você esteja cometendo o erro por estagnação. Calma, eu não vou repetir o que disse anteriormente.

Esse tipo de erro é cometido pelo indivíduo que insiste em não querer evoluir. Como assim? Explico. Eventualmente, o concurseiro ouve de seus “gurus” (muitos apenas idiotas que não sabem o que falam) que não é possível fazer prova de outra banca, não é possível estudar o que está fora do edital (já vimos como há muito conteúdo que está na prova, mas não tem seu “nome” no edital), que não é possível fazer prova de analista se você for prestar para técnico etc. O aluno fica estagnado, pois só sabe resolver um tipo de prova, com apenas um tipo de questão e apenas um nível de dificuldade. Quantas vezes houve mudança da banca examinadora e o candidato se sentiu um imbecil, porque estudava apenas para a banca anterior? Pois é, vou citar um exemplo bem simples: houve uma campanha muito longa para o concurso do INSS que foi realizado no ano de 2016. Todos os preparatórios, antes do edital, direcionavam os estudos para as provas da banca FCC, a organizadora anterior do certame. Durante muito tempo, os alunos resolveram provas anteriores, simulados, viram cursos específicos para a banca em questão. Isso tudo foi lindo até a saída do edital: banca CESPE. Você já pode imaginar a quantidade de choro e ranger de dentes que houve por causa disso. Muita gente teve que “reaprender” a resolver exercício, pois nunca havia feito prova com “certo e errado”. Esse é um exemplo de estagnação no estudo. O indivíduo fica “bitolado” a pouca variedade dentro de uma matéria e não consegue melhorar seu desempenho. Citei apenas duas bancas, mas os exemplos são diversos dessa situação.

A minha sugestão, nesse caso, é que você busque resolver provas mais difíceis do que aquilo que enfrentará em seu concurso. Também é salutar conhecer como outras bancas examinadoras abordam o mesmo assunto. Isso pode fazer você compreender de maneira mais precisa como a lógica da matéria surge para os examinadores. No fundo, tudo é Português, e não há razão para segmentar tanto o estudo de um conteúdo que está disseminado em praticamente todas as provas, afina, tudo está escrito nessa língua (a não ser a prova de língua estrangeira).

Além disso que eu citei, também pode ser que você tenha ficado um tempo trabalhando com provas mais fáceis e, quando passou para níveis mais complexos (o que pode ocorrer sem você perceber, basta que o examinador considere que a prova tenha de ser mais difícil), acho que a prova era de grego e não de português. De qualquer modo, se você estiver estudando, não se desespere: continue fazendo o seu trabalho, pois o resultado aparecerá.


[1] Capacidade de percepção e interpretação.

Padrão