Como aprender Língua Portuguesa

Dúvidas sobre redação!

O que é a prova discursiva?
É a parte da prova que serve para o candidato mostrar um pouco de si. Mostrar que possui conhecimentos a respeito de algum assunto e que possui capacidade de escrever um texto sobre um tema particular com coesão e clareza.

Por que estudar redação?
A necessidade de estudar redação é evidente pelo critério de avaliação que as provas atuais de concurso costumam exigir, ou seja: a prova discursiva atualmente serve como elemento de eliminação do excedente nos concursos. Saber escrever um bom texto significa estar na frente do concorrente.

Existem técnicas para se estudar redação?
Sim, existem técnicas para estudar redação, porém nenhuma é milagrosa. Fazer análise de outros textos escritos, construir resumos e extrair trechos que servem para iniciar partes de um texto são estratégias que costumam funcionar. Há que se lembrar, no entanto, que nada supera a prática cotidiana de escrita.

Essa redação é igual à do Ensino Médio?
A redação de concursos difere essencialmente das redações produzidas no Ensino Médio pelo fato de não haver a necessidade de “criatividade” nos certames direcionados para os concursos públicos. Evidentemente, a superação do senso comum em um texto argumentativo é fundamental, porém os examinadores buscam apenas um texto com progressão e lógica. Além disso, os temas atualmente são mais específicos e voltados para a área específica do concurso.

Que tipo de texto mais aparece em concurso público?
O texto de natureza dissertativa é praticamente uma unanimidade. Nele é possível avaliar a capacidade argumentativa ou expositiva dos candidatos.

Como eu sei que serei capaz de escrever uma boa redação?
A capacidade de escrever uma boa redação congrega dois fatores: o primeiro é o conhecimento relacionado ao assunto de que o texto trata; e o segundo é a competência para estruturar um texto, ou seja, entender como explicar, exemplificar, introduzir, argumentar e concluir em um texto. Se um desses dois itens faltar, a probabilidade de o texto não ser bom é grande.

Como e quanto praticar da redação?
Deve-se praticar a escrita todos os dias, ao menos um texto por dia. Desse modo, aprende-se a escrever com velocidade (o que conta muito no dia da prova) e segurança. É aconselhável que você tenha alguém que o possa acompanhar na análise dos textos, pois a opinião de outrem pode ajudar a reconhecer o que a leitura particular não percebe. É claro que isso é o cenário ideal, mas – se você não tiver tempo para escrever todos os dias – ao menos trate de trabalhar com resumos simples ao menos duas vezes por semana. Isso não deve tomar mais de uma hora do seu dia.

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Os conteúdos mais cobrados nas provas de concurso

À exceção da prova do Instituto Rio Branco (que está em outra realidade planetária), as provas do CESPE costumam seguir um padrão: distribuição entre questões de interpretação e de gramática. Nas provas com até 25 questões, é comum encontrar de dois a três textos não muito longos, cujo padrão de complexidade aumenta quando se passa do nível médio para o nível superior – o que é esperado de qualquer banca examinadora.

Muita gente prefere o estilo tradicional da banca, que é o de julgamento dos itens como “certo” e “errado”, apesar de achar ruim o princípio de que uma questão errada anula uma correta. Há uma tendência de mudança desse padrão para o padrão de múltipla-escolha (a, b, c, d, e) do ano de 2016 adiante.

Nas questões relativas ao texto, é muito comum haver a distinção entre questões de inferência e questões de compreensão, na proporção de uma para duas, ou seja, uma de inferência para duas de compreensão textual. Há muitas recorrências aos referentes pronominais, quer dizer, a banca gosta de perguntar qual é o referente do pronome empregado na sentença.

Nas questões relativas à estrutura das sentenças, abundam os questionamentos sobre reescrita de frases. Nesse caso, qualquer item de correção gramatical pode ser cobrado, e o candidato deve ficar atento ao modo como a sentença está redigida. Sem contar essas questões sobre reescrita de sentenças (nas quais também pode figurar o sentido das expressões), os principais conteúdos são: concordância (com predomínio da verbal, nas regras mais comuns), crase (com ênfase na justificativa dos acentos), pontuação (principalmente para termos destacados e orações adjetivas) e regência (com ênfase na regência verbal).

O CESPE possui uma tradição muito consolidada na abordagem do assunto de Redação Oficial nas provas de Língua Portuguesa.

Para garantir que você não terá quaisquer problemas com o assunto em questão, indico o meu livro “Revisaço de Redação Oficial e Discursiva” – publicado pela editora Jus Podivm. Ele dá conta da matéria de maneira efetiva e simples.

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Não sei o que a banca está pedindo.

Não existe sensação pior para – em uma avaliação – do que não fazer ideia do que a questão está abordando. Em Língua Portuguesa, isso é muito comum, porque a separação dos conteúdos pode desaparecer em uma questão de correção gramatical, por exemplo.

Há dois focos principais de questionamento para uma banca examinadora: um deles é o aspecto interpretativo, em que o examinador pode exigir inferências, análise de compreensão do texto, estratégias coesivas, coerência etc. Outro aspecto é o gramatical, em que o examinador pode correção da sentença, observação de acentuação, ortografia, concordância etc. Conhecer a banca examinadora, seu perfil, seu tipo de cobrança costuma ser o caminho para resolver esse problema.


Parte 2: das bancas examinadoras

 A banca CESPE

Como muitos devem saber, o nome CESPE/UnB significa Centro de Seleção e Promoção de Eventos da Universidade de Brasília. Ocorre que esse nome sofreu uma modificação recentemente. Então, apenas para deixar o livro mais consistente nas informações, recortei o que a própria banca fala sobre si e resolvi colar aqui para você entender a nomenclatura.

O Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), denominado Cespe, foi qualificado como Organização Social (OS) em 19 de agosto de 2013, com a assinatura do Decreto n.º 8.078 pela Presidenta Dilma Rousseff. Em 17 de março de 2014, a Instituição começou a funcionar como uma nova OS no País, após a assinatura do Contrato de Gestão firmado em conjunto com as instituições intervenientes: o Ministério da Educação, a Fundação Universidade de Brasília (FUB) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Que isso muda na sua vida? Nada. Mas eu fiz isso para ninguém dizer que o autor não saiu por aí fazendo pesquisa antes de publicar o livro. O CESPE (e não a CESPE – como muita gente fala) é uma das bancas mais respeitadas no país em virtude de promover certames para concursos com grande número de candidatos inscritos, ou seja, está acostumada a promover eventos nacionais. Sua reputação nem sempre foi das melhores com relação à segurança das avaliações, pois – em meados de 2010 – houve uma operação da Polícia Federal (Operação Tormenta), em que a banca examinadora havia figurado como uma das bancas examinadoras cujas provas teriam sido alvo de fraude. Bem, isso é mais “Revista Caras” do mundo dos concursos do que conteúdo de fato, mas serve para traçar um perfil dessa banca examinadora.

É muito comum ver o CESPE como banca em provas da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal[1], Ministério Público da União, algumas agências reguladoras etc. Bem, já deu para saber que a banca e bem provável para diversos concurseiros, certo? Vamos falar sobre aquilo que podemos encontrar em suas provas de Língua Portuguesa.


[1] Salvo quando a FUNRIO fez o certame, mas ninguém quer lembrar isso.

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Não sei qual é a minha dificuldade?

Também é algo muito comum não saber qual é a dificuldade em Língua Portuguesa. Você simplesmente sabe que não sabe nada! Apesar de ser uma conclusão quase filosófica, há algumas explicações para isso.

Provavelmente, você ainda não tem todos os conceitos com que trabalhamos em Língua Portuguesa bem claros em sua mente. Talvez você ainda confunda o que é análise morfológica com o que é análise sintática. Talvez ainda não saiba bem o que é uma classe de palavras ou tenha conceitos muito rasos sobre a matéria.

Em minha opinião, o maior problema de quem está errando questões ou não está entendendo a matéria e não sabe o motivo é o fato de que muitos “professores” de Língua Portuguesa estão preocupados simplesmente com passar dicas e macetes. Isso é terrível. Um macete pode servir para facilitar a resolução de alguns exercícios, mas certamente não o faz compreender como a língua se articula. Existem níveis diferentes de provas e os macetes mais simplistas não darão conta jamais de uma prova de nível intermediário para difícil.

Para você ter uma ideia do que eu estou falando, vou recorrer a um exemplo bem simples. Muitas vezes já me peguei em situações desconfortáveis enquanto lecionava, em razão de os alunos terem uma lacuna conceitual por causa de outro docente que havia passado uma informação superficial.

O caso a que me reporto é o seguinte: falava para uma turma sobre análise sintática, quando solicitei uma investigação a respeito de um verbo que era relacional (verbo de ligação, para os mais íntimos).

No meio da minha elocução, resolvi perguntar:

  • Pessoal, como vocês identificam um verbo de ligação?
  • Pelo significado – respondeu um aluno.
  • Muito bem! E qual o significado de um verbo de ligação?
  • O verbo de ligação indica uma qualidade!

Você pode imaginar que, nesse momento, eu quase tive uma parada cardíaca! Mesmo assim, continuei a reflexão. Vale a pena acompanhar:

– Ah, é? Então, vamos analisar uma sentença. Pense na frase “O professor chegou atrasado”. A palavra “atrasado” está indicando uma característica do professor, certo?

– Certo! – a galera veio com força na resposta.

– Então, que tipo de verbo é esse?

Alguém gritou lá do fundo:

– Verbo de ligação!

Como você deve saber, o verbo “chegar” é um verbo intransitivo, tratado por alguns gramáticos como “transitivo relativo” ou “transitivo circunstancial”. O fato é que não se trata de um verbo de ligação. Em uma conversa com a turma, disseram-me que haviam aprendido assim e que, para eles, não havia outro conceito de verbo de ligação.

Esse é o tipo de problema que pode fazer uma pessoa que estuda, há muito tempo, a matéria errar as questões mais elementares. Daí, é bem compreensível que a pessoa ache que não está progredindo, que não sai do lugar.

Pela experiência que adquiri ao longo desses anos lecionando pelo Brasil, pude entender que – se você tem algum problema com Língua Portuguesa – a origem das dificuldades está certamente nos conceitos morfológicos que você adquiriu ao longo de sua jornada.

Antes de encerrar essa passagem, também é importante ressaltar que somos responsáveis pelo que falamos, não pelo que as pessoas entendem. Talvez o cidadão tenha explicado corretamente e de maneira conceitual o tal verbo de ligação, mas o aluno só tenha “ouvido” a parte do macete.

Caso você não saiba qual é sua dificuldade, adote o procedimento de resolução de questões e posterior avaliação relativa o tipo de questão que você errou. Isso quer dizer: se você errou mais questões de interpretação, concentre-se nessa parte (e siga os conselhos já mencionados); se errou mais questões de gramática, vá trabalhar com a estrutura da língua.

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Como estudar interpretação de texto?

A dificuldade com Interpretação de Textos sempre é algo reportado pelos alunos. Diagnóstico simples: falta de leitura de textos com um grau de complexidade maior.

Você pensou que essa barreira fosse causada por pouca leitura, certo? Daí resolveu aumentar a quantidade de leitura, mas – ainda assim – continuou “levando fumo” nas questões de interpretação. Normal. O problema não é a quantidade, pois hoje lemos muito mais do que em momentos pretéritos da história da humanidade. O problema é a qualidade da leitura.

Pense em quais são as suas bases principais de leitura: Facebook, Instagram, blogs, comentários em vídeos do YouTube, legenda de séries, e por aí vai. Quando foi a última vez em que você leu um poema? Quando foi a última vez em que leu um texto sobre economia? Sobre astrofísica? Sobre neurologia? Sobre cognição? Então, como você espera ter capacidade ampla de interpretação, se está mais acostumado a ler coisas divertidas, até fúteis, em vez de ler algo que vá – de fato – desafiar o seu cérebro. Fazer o mesmo exercício, com o mesmo peso, durante 30 anos não fará seus músculos crescerem, infelizmente.

Quando foi a última vez em que você leu um poema? Quando foi a última vez em que leu um texto sobre economia? Sobre astrofísica? Sobre neurologia? Sobre cognição?

Em todas as aulas que ministro a respeito de interpretação, menciono que é necessário estabelecer um regime rígido de leitura: separar ao menos um dia por semana para ler aquilo com que não se está habituado. Quanto mais tipologias, mais próxima a interpretação ficará de você.

Separar ao menos um dia por semana para ler aquilo com que não se está habituado. Quanto mais tipologias, mais próxima a interpretação ficará de você.

Evidentemente, com o tempo e com a prática, será possível identificar quais são os aspectos mais cobrados pelas bancas examinadoras. Nesse sentido, apenas a resolução de questões pode ajudar. Se não for possível progredir com a resolução simples das questões, busque livros de questões comentadas sobre interpretação de textos (eu mesmo escrevi um pela editora Jus Podivm). Neles, o autor consegue apresentar a perspectiva do elaborador da prova no que tange ao processamento de informações, ou seja, a interpretação de textos.

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Minha dificuldade é com Gramática?

A Gramática Normativa é um obstáculo para muitas pessoas. Aliás, chega a sê-lo para muitos professores, mesmo que trabalhem diariamente com esse conteúdo.

Muita gente desconsidera a importância do conhecimento a respeito da estrutura de uma língua, bem como de seu funcionamento. A normativa é condenada em diversos cursos superiores no Brasil. Há docentes que acusam a gramática de “elitista”, como algo que não reflete a realidade dos falares no Brasil. Talvez, por causa desses docentes, os egressos dos cursos de Letras acabam por não saber muito a respeito desse assunto que é tão essencial para o entendimento dos mecanismos de funcionamento de uma Língua.

Apesar do “momento desabafo”, é preciso entender que essa pode ser uma das razões por você não compreender muito bem a gramática: durante sua vida como aluno, ela nunca foi apresentada formalmente para você a ponto de ser possível refletir a respeito das estruturas lidas do faladas.

Caso seu problema seja esse mencionado, há providências que você pode tomar a fim de sanar os problemas mais graves. Em primeiro lugar, é necessário descobrir quais são os pontos fracos gramaticais. Veja bem: não saber gramática é uma coisa; não saber aplica-la é outra bem diferente.

É possível saber a definição de um verbo de cor, mas sem saber conjugar, classificar, identificar, reconhecer formas nominais, o conhecimento é praticamente desperdiçado. Geralmente, quem tem problema com a aplicação da gramática possui um conhecimento mais intuitivo do assunto: é uma pessoa que faz boa leitura, mas não se liga muito às nomenclaturas que são apresentadas ao longo do estudo de Língua Portuguesa. A melhor maneira de resolver esse problema é apostar em um bom livro de gramática, para fornecer a base teórica do conteúdo. Você irá recorrer a ele sempre que não souber explicar um fenômeno da língua. Vale adotar também um glossário (pequena lista com conceitos úteis) relacionado à Gramática. Assim, você não se perderá quando aquela tempestade de nomenclaturas começar a cair.

Há mais uma técnica para melhorar seus conhecimentos gramaticais. Consiste em realizar testes de assimilação da regra. Entenda: nem sempre a questão do concurso vai ajudar você. Eventualmente, será necessário fazer análises de sentenças incorretas e tentar passá-las para uma forma correta, naquilo que pareceria mais com os exercícios que fazíamos na escola. É precisamente isso. Quanto mais você fizer exercícios de assimilação da matéria, mais será possível internalizar aquilo que você estudou, gramaticalmente falando. [1]


[1] É fato que não há muitos materiais, com esse tipo de exercício, disponíveis no mercado. Uma recomendação que faço é a Gramática Gradativa, de Ary Coelho Abílio.

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