Notadamente, só acerta questão quem tem noção da teoria que deve ser empregada para tal. Há alguns direcionamentos que posso apontar, no entanto, para facilitar a vida nesse sentido.

Há duas estratégias para estudar resolução de questões: uma delas é a corajosa, que consiste em pegar uma boa porção de exercícios, ou mesmo uma prova, e tentar acertar tudo que está lá. Outra estratégia é a analítica, que consiste em separar os exercícios a serem resolvidos, colocar o gabarito de cada questão e escrever o comentário (a justificativa do gabarito) ao lado de cada questão.

Pela minha experiência, sei que a primeira estratégia – a corajosa – pode ser frustrante, caso você erre mais de 50% da bateria de testes que você selecionou. Esses erros podem ocorrer por falta de teoria ou por falta de compreensão do comando da questão. Se esse for o seu caso, adote a outra estratégia.

A estratégia analítica permite unir a teoria à prática, entretanto toma muito mais tempo, por causa do comentário das questões. O fato de não saber a teoria subjacente a uma questão fará você pular o exercício ou ter de interromper o estudo para buscar fundamentação[1]. Isso leva a crer que – de determinada maneira – também pode ser frustrante a segunda estratégia. Cabe a você decidir com qual frustração é capaz de lidar melhor.

Estudar por temas?

Não sou totalmente contrário ao fato de resolver questões por divisão de assunto, mas tenho as minhas ressalvas. Acredito que selecionar uma bateria de questões de crase, concordância, pontuação, acentuação etc. sirva apenas para permitir o entendimento pontual desses conceitos. Explico: isso só serve para você encerrar uma aula em que estudou teoria – ou seja – só serve para acomodar a matéria na sua cabeça.

Por que você diz isso, professor? Bem, é o seguinte: quando você lê o comando de uma questão e ele fala a respeito de concordância, você já sabe qual é o assunto. Aliás, já sabe o assunto dessa e das próximas 100 questões que você filtrou lá no seu site de resolução de questões. Quero dizer que isso dá uma falsa sensação de conhecimento da matéria. Você acerta mais, porque já sabe do que a questão está falando. Todos sabemos que não é assim que aparece em nossa prova. As questões surgem em uma mistura muito louca.

Então, entenda que essa maneira de resolver exercícios é apenas a primeira etapa do seu trabalho. A segunda etapa deve ser a resolução de provas completas de Língua Portuguesa. Você precisa fazer um mapeamento detalhando do que a banca do seu concurso irá cobrar. Para tanto, resolva as provas aplicadas durante o último ano. Monte um caderno e parta para os comentários! Isso trará um rendimento muito maior na resolução de exercícios.

Há quem goste de cursos de resolução de exercícios e de livros com a mesma focalização. Eu acredito que isso ajuda muito, contanto que você possa confiar no autor dos comentários. Nesse sentido, eu sugiro uma coleção chamada Revisaço – da editora Jus Podivm (eu mesmo tenho meus livros lá) –, em razão da competência e do rigor com que a editora trabalha. Além disso, sugiro os meus cursos de resolução de exercícios (que podem ser encontrado na minha página mesmo). Desculpem, eu não pude resistir ao “merchan”. 

Apenas uma vez?

Pode parecer meio masoquista, mas eu recomendo que você resolva a mesma prova mais de uma vez, em intervalos distintos. Essa estratégia permite identificar se você tem memória para reconhecer os padrões de questão, além de servir para verificar se você erra as mesmas coisas (não sai do lugar na teoria).

Adote o seguinte procedimento: separe 10 provas e resolva uma por dia. No décimo primeiro dia, resolva a primeira prova; no décimo segundo, a segunda e assim por diante. Repita o procedimento em bateria de 10 em 10 provas, sempre que achar que seu desempenho em resolução de exercícios estiver começando a baixar. Anote seus resultados, veja suas estatísticas, permita-se perceber a sua evolução!


[1] Eu não sugiro que os meus alunos se apoiem nos comentários provenientes de sites de resolução de exercícios. Duas são as razões para isso: a primeira é que – em diversos casos – os comentários são de outros alunos, os quais podem saber o mesmo ou bem menos do que você. A segunda é uma cópia da primeira, apenas com a diferença de quem comenta. Sim, é o que você está pensando (alguns “professores” escorregam nos comentários).

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