Paternidade

 

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Existem coisas curiosas na vida de quem dá aula de Língua Portuguesa ou escreve poema: poucos são os que estão ali para ouvir suas declamações (quase ninguém, diga-se de passagem) ou mesmo entender as lições gramaticais. Pois é, eu sou professor de Língua Portuguesa, por ofício, e poeta por sentimento. Até os dias presentes, não tinha muita audiência para os meus escritos. Até que alguma coisa mudou.

Decidimos – eu e minha esposa – que era hora de fazer algo mais; era hora de contribuir com o mundo. Decidimos que era hora de termos um filho (o nosso primeiro)! Engraçado, pois essa decisão parece representar algo de muito íntimo, mas não é: na verdade, ao decidirmos trazer alguém para esse mundo, decidimos que vamos entregar parte de nós para a humanidade (talvez isso soe meio piegas ou religioso, mas é verdade) – vamos deixar um legado, um presente não só para nós, mas para todo mundo.

Sempre fiz piadas que meu filho / filha deveria já sair sabendo conjugar um verbo. Que tolice, era apenas uma piada! Farei, porém, questão de ler minhas histórias favoritas para ela (ou ele), para que possa mostrar que são boas histórias; quero mostrar os poemas que me deixavam emotivo, para que possa tentar despertar a emoção nessa nova pessoa que comporá minha família. Quero ser um exemplo para meu filho, assim como meu pai foi um exemplo para mim, talvez sem dizer palavra alguma, apenas com olhar de quem me entendia em todas as minhas escolhas.

Trata-se de uma jornada para a vida, bem sei disso, mas quero poder chegar à minha velhice e pensar ou ter a sensação de que fui um bom pai e que deixei uma (ou mais, se Deus quiser) pessoa melhor para o mundo. Não que ele ou ela vá salvar a humanidade (ninguém fará isso), apenas espero que faça a sua parte, o seu papel como ser humano. Talvez, daqui muito tempo, meu filho leia isso e me ache meio bobo ou sentimental, ou idealista demais. Aceito isso sem problemas, sou mesmo assim.

E que – como eu fiz um dia – meu filho (ou filha) aceite de bom grado tomar um suco aos 12, uma cerveja aos 23, um vinho aos 35 e um café aos 40, para celebrar a vida e nossos encontros. Que ele veja o mundo pelos seus próprios olhos, mas – talvez, apenas talvez – com um filtro ajustado ao longo dos anos com a ajuda de seus pais.

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4 comentários em “Paternidade

  1. Lindo texto! Meus parabéns, você merece.
    Acabei de chegar da casa de um amigo, ele estava desolado porque uma colega de trabalho está grávida de um mês, mas não quer ter o filho e resolveu abortar. Ele disse que tentou convencer ela de tudo quanto é jeito, mas ela não mudou a opinião. Confesso que também fiquei triste, meu sonho é encontrar a pessoa certa e construir uma família. Lendo seu texto eu até esqueci dessa triste situação. Fico feliz de verdade por você e sua esposa… Que essa criança seja uma bênção de Deus na vida de vocês. Por fim, que ele(a) ame português como você.

    Curtido por 1 pessoa

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