Coragem virtual

croissant

Não é muito engraçado como as pessoas adquirem uma coragem fantástica quando estão atrás de um computador, de um celular ou de um tablet? Eu acho isso, no mínimo, curioso. Não raro, estou escrevendo um texto, comentando uma foto, avaliando um vídeo, paro para ver o que as outras pessoas escrevem a respeito daquilo que acabaram de ver.

E esse texto começa desse jeito mesmo, contanto o ocorrido com Atena. O nome dela nem era Atena, mas ela colocou isso no seu apelido, porque a Internet (sim, é com letra maiúscula) deixa fazer esse tipo de coisa. Colocar um nome qualquer para parecer cult ou chique. É foda! É foda, mas é real.

A Atena Tupinambá (queria fazer uma mescla entre coisa grega erudita e coisa de raiz brasileira) sempre passava pelas redes sociais, fazendo o seu julgamento de mérito do caráter das pessoas, colocando suas opiniões, desmontando teorias sem conhecer qualquer pessoa, credo, posição, formação ou caráter. Pensava “se eu não concordo com isso, está errado”!

Um dia ela parou para comentar um vídeo que havia visto sobre um assunto que vira polêmica do dia para a noite – como tudo no Brasil. Era um vídeo de uma menina falando sobre determinado assunto que havia pesquisado e estava lá também emitindo sua opinião. Nossa protagonista, no mais alto estrado cultural, não concordava com a opinião da garota (que, agora convencionamos chamar youtuber – nome que de chique tem muito e de conteúdo tem pouco).

Com fúria salivar nos dedos, Atena redigiu seu comentário abaixo do vídeo:

– PQP, que menina burra! É mesmo uma anta. Nem sabe do assunto que tá falando. Essas retarda fica comentando umas coisa que nem faz sentido. Eu até tô rindo aqui. Vai estudar, minha filha, antes de sair falando tanta merda!

Assim que deu o “enviar” do seu comentário, pensou que estava cansada de gente burra e de Internet naquele dia. Foi comer um croissant na franquia que havia no centro.

Atena não era qualquer pessoa para pedir uma massa folheada com recheio trivial de queijo com frango. Mais credo! Logo mandou aquele croissant nervoso de rúcula com tomate seco, brie e especiarias. Após a primeira bocada na iguaria, uma bandeja de plástico surgiu como um aríete direto nos dentes!

– Vai aprender a ficar falando merda dos outros, sua filha da puta! Isso aqui é para você aprender!

A informação viaja rapidamente.

(Pablo Jamilk)

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